Os sonhos que a Sapucaí vai contar em 2027
A Marquês de Sapucaí já respira os enredos que colorirão o Carnaval 2027. Com a ordem de desfiles definida, as agremiações do Grupo Especial começam a revelar as narrativas que levarão para a avenida, e o que se desenha é uma edição profunda, que mergulha em raízes literárias, em vozes ancestrais e em personagens que fizeram história no Brasil.
No domingo de desfiles, a União de Maricá estreia na Sapucaí homenageando Darcy Ribeiro e sua utopia de um país mais justo. O carnavalesco Edson Pereira propõe celebrar o educador e sua visão antropológica do povo brasileiro, ligando tudo isso ao município onde o intelectual escolheu viver nos anos 90. É Darcy na avenida, é sonho de transformação em cada ala.
A Beija-Flor traz Zeneida Lima, pajé do Arquipélago do Marajó, em um desfile que promete mergulhar nos saberes ancestrais amazônicos e na relação entre espiritualidade e preservação. O Tuiuti vai celebrar Tia Ciata, aquela que ajudou a parir o samba carioca, revisitando a Pequena África e as rodas que resistiram. A Vila Isabel adapta para a avenida o romance Torto Arado, seguindo a luta quilombola pela terra no sertão baiano com seus mistérios e sua fé.
Na segunda-feira, a Mocidade Independente questiona o eurocentrismo através de uma América de cabeça para baixo, enquanto a Tijuca traz o realismo mágico nordestino de um livro que nasceu numa oficina com García Márquez. O Salgueiro retorna a Xica da Silva, mas desta vez propondo um novo olhar sobre o protagonismo da mulher negra, fugindo de estigmas para abraçar força e verdade.
Cada enredo é um click que congela um momento importante, uma história que merecia ser contada e agora ganha corpo, som e movimento na maior festa que conhecemos. Onde tem Carnaval, a gente clica esses instantes que a avenida vai registrar para sempre.

