Zezé Motta e a Xica que transformou vidas no Salgueiro
Há mais de cinquenta anos, um filme nascido do Carnaval transformou a vida de Zezé Motta e marcou a história do cinema brasileiro. Xica da Silva, inspirado no emblemático desfile do Salgueiro de 1963, chegou aos cinemas como uma revolução: mais de três milhões de pessoas assistiram à sua história em um tempo pré-digital, quando filmes com protagonistas negros quebravam barreiras e abriam novos caminhos. A atriz que deu corpo à personagem carrega essa responsabilidade com gratidão até hoje. Para ela, o papel foi intenso e desafiador, exigindo coragem numa época em que mulheres negras raramente ocupavam o centro das narrativas cinematográficas. Xica não pedia licença para existir: ria alto, dançava, corria, provocava. Levou Zezé pelo mundo, por festivais e entrevistas, alçando-a a um patamar de reconhecimento que ia muito além das expectativas.
Agora, quando o Salgueiro traz Xica da Silva de volta à Avenida em 2027, a trajetória dessa personagem ganha novo sentido. O enredo proposto homenageia não apenas a figura histórica de Francisca da Silva de Oliveira, mas também as mulheres negras que a encarnaram em diferentes tempos: Isabel Valença em 1963, Zezé Motta em 1976 pelo cinema, e Taís Araújo em gerações posteriores. Aos 82 anos, Zezé ainda sente a emoção de saber que mais pessoas conhecerão essa história. Embora ainda não tenha recebido convite oficial da escola, ela manifesta disposição em reorganizar sua rotina intensa entre cinema, música e TV para estar presente. O que move essa vontade é simples e profundo: a gratidão por uma personagem que não apenas transformou sua vida, mas continuou abrindo portas para tantas gerações de artistas que vieram depois.

