Tibira ganha vida na avenida: a história que o clickSamba não pode deixar passar
Quando a gente fala em Carnaval, falamos de resistência, de corpos que dançam, de histórias que precisam ser contadas na avenida. E foi assim que a Unidos da Ponte escolheu seu enredo para 2027, levando para a Marquês de Sapucaí o nome e a memória de Tibira do Maranhão, personagem que marca para sempre a história brasileira.
O desfile intitulado “Tybiras” vai contar a trajetória de um dos primeiros casos documentados de LGBTfobia no Brasil. Estamos falando de 1614, quando em São Luís do Maranhão, Tibira foi morto por missionários dentro de uma igreja católica. A acusação? “Sodomia”. O que segue é duro demais para as palavras, mas necessário: seu corpo foi amarrado à boca de um canhão que o dividiu em duas partes.
Nicolas Gonçalves na criação visual e Cleiton Almeida no texto vão transformar essa memória em poesia de Carnaval. E tem mais: o próprio termo “tibira”, usado pelos tamoios para designar pessoas homossexuais, traz consigo toda uma história de diversidade que existia entre os povos originários muito antes dos europeus imporem seus modelos binários sobre gênero e sexualidade.
O enredo dialoga com relatos históricos do capuchinho francês Yves D’Évreux, aquele que documentou esse episódio trágico. Um bom click fica para sempre, dizem os fotógrafos. E um bom enredo também, especialmente quando resgata vidas que o tempo insiste em apagar.
O samba que acompanhará o desfile foi assinado por Cláudio Russo, Silvio Romai, Juão Nyn, Marquinho Beija-Flor, M. Borboleta, Jorginho da Flor, Herval Neto, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Raphael Gravino, com interpretação de Serginho do Porto. A Unidos da Ponte desfila no sextou de Carnaval, 6 de fevereiro, como penúltima escola da noite.

