GRUPO ESPECIAL

O brilho eterno de Madureira eternizado em uma medalha de amor ao samba

Há imagens que a gente não precisa de câmera para registrar, pois elas ficam gravadas direto na alma. Ver o Cafofo da Tia Surica, em Madureira, pulsar com o ritmo da bateria da Portela para celebrar os oitenta e cinco anos de sua maior matriarca é um desses momentos de pura poesia visual e musical. A entrega da Medalha Chiquinha Gonzaga para Iranette Ferreira Barcellos não foi apenas uma formalidade, mas o reconhecimento de uma vida inteira dedicada a pavimentar o caminho para que o samba continuasse forte, bonito e feminino. Desde os quatro anos de idade, quando pisou na avenida pela primeira vez, ela carrega o pavilhão azul e branco no peito, transformando seu próprio lar em um templo de resistência cultural onde grandes nomes da nossa música já se reuniram para cantar a vida.

A emoção de ver essa baluarte receber a honraria cercada por seus pares mostra que o samba é, antes de tudo, uma herança de afeto e respeito aos que vieram antes. Ao dividir a homenagem com as mulheres do passado que abriram as portas dos terreiros, Tia Surica reafirma seu papel como guardiã da memória portelense, aquela que conduziu o histórico desfile de 1966 e que até hoje brilha na Velha Guarda. Cada sorriso capturado nessa tarde festiva reflete a certeza de que a tradição do subúrbio carioca segue viva e pulsante, guardada no olhar generoso de quem é a própria história do Carnaval. clickSamba, onde tem Carnaval, a gente clica!