GRUPO ESPECIAL

Salgueiro 2027: a letra que ecoa Xica da Silva em resistência

A Mangueira do Rio de Janeiro respira fundo neste samba que a Academia de Salgueiro traz para 2027. Xica da Silva ganha vida novamente, não como personagem em outro olhar, mas como dona de sua própria narrativa. Os compositores Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Carlão mergulham em poesia que é puro grito de resistência. Cada verso celebra a mulher negra que refaz seu roteiro, que desliza do morro como quilombo pioneiro, que recusa a servidão e reivindica seu corpo, sua história, sua verdade. O samba não apenas canta, ele invoca e incorpora, firmando axé na segunda-feira com toda a força de quem sabe que toda mulher merece ser ela mesma.

Quando a voz ecoa “meu Salgueiro, meu quilombo pioneiro”, não é só letra que sai da garganta. É a memória que retorna consagrada, é Francisca na encruzilhada mandando seus filhos dançarem com dignidade. A poesia aqui é crua e linda ao mesmo tempo, nomeando as Marias, as baianas, as deusas da rua que nunca tiveram voz nos capítulos escritos por outros. Um bom click fica para sempre, e este samba-enredo é justamente isso: um momento congelado de quando a Academia do Salgueiro devolveu a história para quem realmente a viveu.