SÉRIE OURO

Porto da Pedra encontra a negritude no samba que homenageia Fernando Macaco

A Porto da Pedra escolheu seu coração para o Carnaval 2027. Na madrugada de domingo, a escola consagrou o samba da parceria formada por Bira, Oscar Bessa, Márcio Rangel, Rafael Raçudo, Miguelzinho, Jarrão, Éric Costa, Vinícius Ferreira e Rafael Gigante como a obra que irá ecoar na Marquês de Sapucaí ao som do enredo Porto Kalunga. Os dez compositores repetem o bicampeonato na disputa realizada na quadra de São Gonçalo, e desta vez carregam consigo uma dedicação tocante: a vitória pertence a Fernando Macaco, querido integrante da comunidade portuária que se foi no ano anterior. Cada verso desta composição pulsa de significado profundo, mergulhando na ancestralidade africana e tecendo pontes entre Angola e Brasil através de referências a Luanda, Benguela, Catumbela e Lobito. As homenagens aos mestres Martinho da Vila, Dorival Caymmi, João Nogueira e Djavan fluem naturais pela letra, enquanto momentos como “Ao ver o mar, maré de saudade, clareia o terreiro” abraçam a memória de quem se foi com a delicadeza que apenas o samba sabe oferecer.

Quando o compositor Jarrão explica que a matéria-prima era excelente e o samba nasceu de forma orgânica, podemos imaginar as rodas de criação onde a negritude, a religiosidade e a força da Mãe África ganharam corpo e melodia. O resultado é uma verdadeira obra de arte que promete contagiar a Sapucaí com toda a emoção e explosão de identidade que a Porto da Pedra carrega em seu DNA. Oscar Bessa, que vence pela terceira vez nesta disputa, resume com precisão o que move essa parceria há anos: plantar o coração toda vez que pisam no palco da escola. Fernando Macaco, onde estiver, certamente verá esse tigre rugir com a força que só quem tem raízes profundas no samba consegue alçançar.