Tia Ciata, a mãe preta que plantou samba na cidade
Na quarta-feira 13 de maio, o Paraíso do Tuiuti abriu as portas do seu “Tutu de Preto Velho” para revelar a sinopse de um enredo que rasga o silêncio dos livros oficiais. “Ciata: a mãe preta do samba” é mais que um título, é um ato de restituição. A agremiação de São Cristóvão, através da pena dos historiadores Claudio Russo e Luiz Antônio Simas com colaboração de Gracy Moreira, bisneta da homenageada, resgata Hilária Batista de Almeida do apagamento para consagrá-la na eternidade do Carnaval. O carnavalesco Renato Lage recebe essa herança e a transforma em narrativa visual, em cada passo, em cada cor que desfilará.
Ciata acordava antes do amanhecer, vendedora de doces nas ruas da cidade, portadora de saberes que vinham de longe, de terreiros que pulsavam na Praça Onze, na Cidade Nova. Ela era rainha soberana do seu tabuleiro, senhora de seus caminhos, e ao lado de tantas outras tias trajadas em suas baianas de pano da costa e guias ao peito, ocuparam o espaço público como protagonistas plenas. Enquanto a cidade se reformava em nome de um ideal europeu que queria invisibilizar os pretos e pobres, essas mulheres resistiram através da luta cotidiana, da sociabilidade nas ruas, da invenção coletiva de modos de vida que germinam até hoje na raiz do samba carioca. Um bom click fica para sempre, e esse enredo é o click que resgata Ciata da escuridão para a luz eterna da Sapucaí.

