Beija-Flor prepara sambas à altura de Dona Zeneida
Quando uma escola encontra um enredo que pulsa no seu peito, os compositores sentem. A Beija-Flor sabe disso bem. Para 2027, a agremiação nilopolitana retorna à Ilha de Marajó com uma narrativa que traz resistência, reparação histórica e o protagonismo de Dona Zeneida Lima, última pajé marajoara. Não é volta ao passado: em 1998 já havia homenageado a região, mas agora a abordagem é outra, mais profunda, mais do que nunca amarrada aos valores que a escola carrega há décadas na luta pelo reconhecimento das mulheres, pela educação e contra toda forma de discriminação. Os compositores já conhecem a receita. Almir Reis, presidente da escola, aposta alto que sairão grandes sambas porque a história pede isso, porque pede tudo: guerra, resgate, luta. E Marco Marino, diretor de carnaval, reforça a confiança na dinâmica criativa da Beija-Flor, que nunca deixou a escola na mão.
A disputa de samba este ano terá duas semanas a menos que em 2026, com a escolha acontecendo já em 10 de setembro. Mais curta no tempo, mas não em qualidade. Marino deixa claro que os compositores têm liberdade total para criar, seja um samba descritivo, poético, cronológico ou com melodia clássica. Para ele, exigir uma linha única restringe criatividade e empobrece o resultado final. Quando um enredo é assim tão potente, tão cheio de camadas, a pluralidade de obras é que faz a diferença. O que importa é que cada compositor sinta Dona Zeneida na pele e cante com o coração. Os fantasmas já estão desenhados, o enredo bem desenvolvido. Agora é deixar a Beija-Flor falar através de seus melhores compositores, daqueles que sabem registrar em nota musical o que a escola é e o que sempre foi. Um bom samba fica para sempre.

