O sopro de Oyá incendeia a quadra da Mangueira em noite de eliminatórias
O Palácio do Samba se transformou em um verdadeiro altar de fé e poesia na noite em que a Estação Primeira buscou o canto ideal para saudar a senhora dos ventos. Sob as lentes da paixão mangueirense, a quadra ferveu com a disputa acirrada que definiu os rumos do enredo dedicado a Oyá. Cada flash capturou a vibração única das parcerias de Lequinho e Arlindinho, que arrastaram multidões como verdadeiros vendavais de emoção, enquanto a obra de Chacal do Sax trouxe uma cadência mais mansa para fechar a noite de eliminatórias. É o tipo de noite em que a poeira levanta e a imagem de uma comunidade entregue ao seu pavilhão fica eternizada na retina de quem vive o Carnaval.
A força do canto ecoou forte quando as torcidas tomaram a frente do palco, criando um mosaico de braços erguidos e olhares marejados que pareciam saudar os próprios raios de Iansã. O samba conduzido pela parceria de Lequinho arrebatou a quadra com um refrão explosivo e contagiante, desenhando na avenida da quadra uma energia quase palpável. Logo em seguida, a obra assinada pelo grupo de Arlindinho manteve o tempo fechado em pura vibração guerreira, abençoada por uma emocionante manifestação religiosa que arrepiou os presentes. Mesmo com a cadência mais suave do último concorrente, a noite provou que a Mangueira está pronta para relampear na Sapucaí, deixando registrado em cada rosto a certeza de que um grande hino está por vir.

