SÉRIE OURO

O retrato cantado da favela no foco da União do Parque Acari para 2027

O Carnaval tem a magia de eternizar rostos, vozes e lutas em um único desfile, transformando a avenida em uma grande galeria de retratos da nossa gente. Para o Carnaval de 2027, a União do Parque Acari promete emocionar os corações apaixonados pela folia ao levar para a passarela a alma e a poesia de um dos maiores porta-vozes da periferia. Com o enredo “Se Não Fosse o Samba, o Que Seria da Favela?”, desenvolvido pelos carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz, a agremiação vai celebrar o centenário de Bezerra da Silva, o eterno porta-voz das comunidades.

Nascido no Recife e carioca de coração, Bezerra da Silva fez do Morro do Cantagalo seu lar e do tamborim sua primeira câmera para registrar a realidade ao seu redor. Sua trajetória artística começou a ganhar contornos marcantes no final dos anos cinquenta, compondo ao lado de Jackson do Pandeiro. Mas foi na cadência do partido-alto que ele encontrou sua verdadeira assinatura, revelando ao Brasil as dores, as alegrias e as injustiças vividas pelo povo pobre, incomodando os poderosos com sua crônica social afiada e sincera.

A homenagem da escola do Complexo do Acari e do Amarelinho resgata a essência de um artista que partiu em 2005, mas deixou sua marca eterna na cultura popular. Depois de encerrar os desfiles da Série Ouro no sábado de folia com o enredo sobre o Teatro Brasiliana, a agremiação agora foca suas lentes na construção de um espetáculo visual e poético sobre a vida desse mestre do samba. Para nós, que vivemos atrás das lentes buscando capturar a emoção de cada desfile, já estamos ansiosos para registrar cada detalhe dessa homenagem histórica, pois sabemos que um bom click fica para sempre.