Itaúnas Ressurge em Canção: Chegou o que Faltava Canta Pedras do Esquecimento
Há momentos em que a câmera se detém não apenas no brilho das fantasias ou na sincronia dos passos, mas na história que pulsa por trás de cada imagem. A Chegou o que Faltava nos convida a registrar exatamente isso em 2027: a coragem de um povo que viu sua casa desaparecer sob dunas de areia e ainda assim reconstruiu sua identidade na festa.
Com o enredo Pedras que Cantam, desenvolvido pelo carnavalesco Roberto Monteiro e pelo enredista Leonardo Antan, a escola levará à avenida a saga de Itaúnas, aquele distrito de Conceição da Barra que carrega em seu presente as marcas mais profundas da natureza. Durante os anos 1970, o Espírito Santo presenciou um dos episódios ambientais mais expressivos de sua história: dunas que ultrapassam 30 metros de altura avançaram sobre a vila original, soterrando casarões, ruas, memórias. O desmatamento da restinga havia deixado a areia sem defesa, e o vento se tornou cúmplice dessa transformação brutal.
Mas aqui reside a beleza que merece ser eternizada em imagem: a comunidade não desapareceu. Reconstruiu se na margem do Rio Itaúnas e manteve acesa a chama de sua cultura através do Ticumbi, do Alardo, daquele forró pé de serra que só tem gosto quando é tocado pela gente que sofreu. O título Pedras que Cantam faz reverência à canção imortalizada por Fagner, aquela que sabe transformar dor em melodia.
A Chegou o que Faltava sabe bem disso: um bom clique fica para sempre. E quando o clique registra uma comunidade que transforma tragédia em festa, em identidade, em resistência, ele fica ainda mais eterno. A escola desfilará como segunda da sexta-feira, dia 29 de janeiro, no Sambão do Povo.

