Lalú de Ouro: quando um rei do samba ecoa através do tempo na Lins Imperial
Um rei coroado na folia. Assim a Lins Imperial escolheu contar a história de Hilário Jovino Ferreira, figura que pulsa no coração do Carnaval carioca desde tempos que parecem distantes, mas que continuam vivos em cada passo de mestre-sala, em cada giro de porta-bandeira. “Lalú de Ouro” é muito mais que um enredo para 2027, é um encontro com as raízes que moldaram a dança que a gente conhece e ama.
Nascido em Salvador em 1855, filho de pais libertos, Hilário Jovino Ferreira chegou ao Rio de Janeiro aos 17 anos carregando consigo a coragem de quem inventa caminhos. Fundou o rancho Rei de Ouros, um dos primeiros da cidade, e se tornou pioneiro daquela dança que hoje reconhecemos como sagrada no Carnaval: a do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Cada movimento que vemos hoje, cada elegância, cada reverência, tem um fio conectado às mãos desse agitador cultural que entendeu a dança como expressão de poder, de identidade, de existência.
Os carnavalescos Agnaldo Correa e Lucas Abelha construíram o enredo a partir de um conceito que a poeta Leda Maria Martins chamou de “tempo espiralar”. É assim que a escola abraça Hilário: não como passado encerrado, mas como movimento contínuo de retornos, de permanências, de recriações. A ancestralidade e a memória se tecem na reinvenção cultural, mostrando como os passos de um homem negro que ousou fundar uma escola de samba ecoam até aqui, até nós, até hoje.
A Lins Imperial segue seu caminho recente de honrar personalidades negras fundamentais para o samba e a cultura popular. Pinah, Mussum, Madame Satã, Jovelina Pérola Negra já desfilaram pelas suas alas como heróis merecidos. Com Hilário Jovino Ferreira, a escola reafirma um compromisso que vai além da festa: é resistência, é memória, é celebração de quem construiu o que somos.
A Lins Imperial desfila no sábado das campeãs, 12 de fevereiro de 2027, como a 12ª e última escola da Série Prata. Um encerramento que promete ser majestoso, um rei coroado que segue dançando através dos séculos.

